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dimanche, novembre 22, 2009

Sinédoque Nova York

Sinédoque Nova York
por Luiz ZaninAuthor

Charlie Kaufman é o queridinho dos alternativos, autor de roteiros badalados como o de Brilho Eterno de Uma Mente sem Lembranças. Em Sinédoque, Nova York ele escreve e dirige. E então o filme pode ilustrar a distância que existe entre colocar uma ideia em palavras e transpô-la em seguida para outra linguagem; no caso, a do cinema.
Não que Sinédoque, Nova York não tenha interesse. Pelo contrário. Em ambiente tão medíocre quanto o do cinema contemporâneo, até destoa pela originalidade. Falta-lhe, no entanto, pulso para manter um argumento de fato fora dos padrões esperados de modo a torná-lo estimulante para o destinatário. Quer dizer, equilibrar a recusa da redundância com a virtude da inteligibilidade.

A figura central é a do dramaturgo Caden Cotard (Philip Seymour Hoffman), cujo processo criativo implica a própria vida na obra de arte. Dito assim, parece a maior banalidade do mundo. Afinal, todo artista coloca sua vida na obra que produz (do contrário não é artista). Cotard o faz literalmente, a ponto de habitar com seu elenco um teatro por longos anos. É o sentido da figura de linguagem, a sinédoque, que ocupa o título. O que era uma maneira de dizer passa, na figuração, a sê-lo de modo concreto.

Dessa forma, Kaufman procura investigar a dinâmica da criação, com quais elementos é feita uma ficção e como ela se relaciona com a realidade, com a verdade da existência do criador. A trama rola entre o casamento do dramaturgo com uma artista plástica (Catherine Keener) e o seu relacionamento por fora com a bilheteira do teatro (Samanta Morton). O filme tem momentos estimulantes para quem gosta de uma trama psicológica intrincada, digamos à maneira de David Lynch. Não agrada tanto a quem prefere enredos mais lineares.

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